Thursday, November 23, 2006

La Boum



No começo dos anos 80, assisti pela primeira vez a um filme no cinema.
Foi no, já desaparecido “Nimas”, ali na Avenida 5 de Outubro.
“La boum, a primeira festa”, assim se chamava a fita francesa que versava e girava à volta das vicissitudes, vivências e descobertas da adolescência.
Lembro-me que nessa altura fiquei “apaixonado” pela Sophie Marceau, pois que era ela a protagonista e figura máxima desse filme. Desse e da sequela que arribou aos cinemas no ano seguinte; “La boum 2, depois da festa”.
Devia ter, essa minha primeira paixão virtual, uns 13 ou 14 anos, deveria eu, também, andar pela mesma idade.. ,
Na banda sonora desse filme existia uma música de um tal desconhecido, de seu nome, Richard Sanderson, chamava-se “reality” e o que eu porfiei para a encontrar; à música, não à Sophie, que essa já se transformara na musa dos meus sonhos e, ao inverso do nome da melodia, parecia-me ela irreal de tão etérea a considerar.
Eu bem que procurava encontrar nas minhas namoradas, da altura, algo em comum com a Sophie mas não conseguia. Não que elas não o tivessem mas porque o mundo real é sempre muito mais pequeno que o mundo da imaginação.
Mas da música, também eu gostava, e muito, e por isso o que eu entrei em discotecas à cata de encontrar o disco. Perguntava se tinham aquele “single”, de tal filme, chegando mesmo a trautear a melodia perante o ar divertido dos empregados das discotecas que assistiam, gratuita e involuntariamente à dissertação, por certo desafinada, daquele rapaz sôfrego na busca da banda sonora que o aproximasse da sua paixão.
Ainda muito tempo haveria de passar até que eu encontrasse o disco e pudesse, finalmente, colocar a agulha do meu gira-discos vezes sem conta sobre as linhas finas do vinil, celebrando assim, dessa forma, veementemente repetida, o fim daquela demanda musical.
Ainda hoje guardo esse disco, tal como guardo estas memórias de pequenos sonhos quase realidades.

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