
"Amanhecer”
Naquela manhã...Como sempre
A noite cansada havia-se recolhido
A repousar num leito de brumas erguido
O sol lânguido enchera-se de vida
E acordava em carinhos a manhã adormecida
Naquela manhã...Naquele momento
O dia tranquilo, lentamente, despertava
E eu, sonolento
Abria os olhos e acordava
Naquela manhã...naquele ínterim
Vi-te ali, defronte de mim
Saída dos meus sonhos onde habitavas
Tu que me preenchias mas logo escapavas
Tu tão perto e eternamente distante
Apresentavas-te a mim naquele instante
Naquela manhã...naquela emoção
Quis ouvir o coração
Sentir emanar a sua razão
Escutei dessa tempestade que se sente
Mas também a bonança que não mente
Deixei falar a alma
Senti fluir a sua razão calma
Falou-me que o sentimento não se tenta
Que nasce expontâneo e não se inventa
Naquela manhã...Naquele amanhecer
Descobrira a minha estação de chegada
Dois destinos, um único querer
Chegando ao fim de uma caminhada
O.Leunam
Setembro de 2002
Foto: - Fog to the Dawn (Neblina ao Amanhecer) de autor desconhecido
Música: Sarah McLachlan ; "in the arms of the angel " que integra a banda sonora do filme "city of angels"
Poema :-(ou tentativa disso) de O.Leunam (Pseudónimo de Paulo Gonçalves Ribeiro)
2 comments:
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
(Venenno)
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
(José Niza)
Venenno
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