Thursday, August 03, 2006

Travessia do Alentejo em BTT





Etapa 1 –VILA VELHA de RODÃO- CASTELO de VIDE - 46 km
Etapa 2- CASTELO de VIDE-CAMPO MAIOR - 86 km
Etapa 3 CAMPO MAIOR-VARCHE (ELVAS) - 35 km
Etapa 4- VARCHE-MONSARAZ - 95 km
Etapa 5 MONSARAZ-PIAS (SERPA)- 78 km
Etapa 6 - PIAS-MÉRTOLA - 83 km
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Além dos cheiros, dos sabores e da quietude difíceis de descrever por palavras ficam os momentos e as imagens ainda tão vividas, do pedalar por montes e vales.
Dos caminhos bordejados pelo rio Tejo ou pelo Guadiana.
Dos muros e muretes rodeados por calhaus e pedras da zona de Marvão e Castelo de Vide.
Das planícies alentejanas sem fim à vista.
Do tanque de água no meio de nada onde mergulhei naquela manhã de calor intenso.
Daquele campo em nenhures onde um placard original informava; “Passagem sujeita a demora devido aos pivots de rega” e onde o enorme afluxo de trânsito por aquela zona por certo agradece a informação.
Da beleza e magnificência do castelo de Juromenha onde para a ele ascender tive de andar a inventar trilhos porque o track original que tinha no GPS estava submerso pelo Guadiana.
Da aventura de contornar a ribeira de Lucefecit que, devido ao fecho das comportas do Alqueva, se transformara numa Albufeira.
Da vila de Monsaraz no crepúsculo.
Da antiga linha férrea desactivada em Pias.
Da beleza e da calma junto a um antigo moinho de água no Guadiana.
Das serras da Serra de Serpa, onde em quase 40 quilómetros, no sentido dos 4 pontos cardeais não se vislumbrava aldeia ou vivalma.
Do primeiro contacto com a aldeia de Corte de Sines depois de pedalar muitos quilómetros “abandonado” e solitário e onde ao entrar no café local silenciei as pessoas tal deveria ser a imagem que eu apresentava; tisnado pelo sol, sujo do pó e sedento de líquidos, tal qual alguém saído do deserto e acabado de encontrar o oásis, .
Do mergulho na praia fluvial das Minas de São Domingos.

Tanto…tanto que fica para sempre.


1 comment:

Anonymous said...

Proposta de Livro:

"Viagem ao Alentejo mais Longe" de Joaquim Palma

Este livro, semeado de pequenos apontamentos poéticos, é o registo muito sentido de uma peregrinação de descoberta ao longo da linha de fronteira que separa o Alentejo do território espanhol. Lugares sem tempo, criaturas suspensas na lonjura, ausências visíveis, fragrâncias libertadas, sentidos perdidos, murmúrios alados, silêncio – tudo isto se vai desnudando ao longo de uma caminhada que, a cada momento, se vai alimentando da beleza finita e infinita que há nas pequenas coisas da terra e do ar.

Venenno