Thursday, November 02, 2006

Have you ever really loved a woman ?



Oiço a música "Have you ever really loved a woman" de Bryan adams que serviu de banda sonora ao filme “Don Juan de Marco” e indago-me:
Quantos de nós, homens, já amaram verdadeiramente uma mulher?
Quantos de nós, machos latinos, apenas pretendemos ser "Don Juans de trazer por casa"; simplesmente preocupados com o número de mulheres que comemos ao longo da nossa vida e não com o número de mulheres a quem proporcionámos verdadeiro prazer ?

Com o número de mulheres que fizemos sentir sexualmente realizadas, amadas, únicas, deusas na cama ?

Gostar de uma mulher é diferente de gostar de se ter sexo com uma mulher.
Gostar de uma mulher é não confundir “gostar” de uma mulher com “comer” uma mulher.


Porque gostar de uma mulher, não é só penetrar no seu corpo, é acima de tudo, entrar na sua alma.
Amar cada bocado do seu todo, gostar das curvas do seu corpo, da forma do seu cabelo, da matriz dos seus seios, da candura do seu sorriso ou da intensidade da sua gargalhada, da profundidade do seu olhar, da fragrância que exala do seu corpo, da elegância do seu caminhar, da finura dos seus mais pequenos gestos que camuflam ou revelam estados e paixões.

Sentir, acima de tudo, a sua Alma; a sua encoberta subtileza, a sua provada intuição.
Perceber cada pensamento, adivinhar cada sonho, conhecer a imensa ternura que toda e qualquer mulher possui, por vezes apenas escondida ou valiosamente guardada à espera de destinatário.

Gostar de uma mulher é mostrar-lhe que é mesmo a ela que realmente queremos.
Conquistá-la como se fosse a primeira vez.

Porque ser sedutor não é conquistar várias mulheres, é saber conquistar a mesma mulher todos os dias.

Have You Ever Really Loved A Woman?

To really love a woman
To understand her - you gotta know her deep inside
Hear every thought - see every dream
N' give her wings when she wants to fly
Then when you find yourself lyin' helpless in her arms
Ya know ya really love a woman
When you love a woman you tell her that she's really wanted
When you love a woman you tell her that she's the one
Cuz she needs somebody to tell her that it's gonna last forever
So tell me have you ever really - really really ever loved a woman?
To really love a woman
Let her hold you - til ya know how she needs to be touched
You've gotta breathe her - really taste her
Til you can feel her in your blood
N' when you can see your unborn children in her eyes
Ya know ya really love a woman
Chorus
You got to give her some faith - hold her tight
A little tenderness - gotta treat her right
She will be there for you, takin' good care of you
Ya really gotta love your woman...

O texto acima baseou-se nos textos de Rafael Martí, “A arte de gostar de mulher” e no fotógrafo André Arruda (a foto é da sua autoria) que afirma que “para fotografar nu feminino é preciso gostar de mulher”

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

SOB AS ASAS DE MORPHEUS

" Preciso de sair deste lugar onde já me sinto a sofucar! Não é tarde nem é cedo, vou viajar! " . Num ápice Cindy resolveu tirar umas férias espirituais.
Agradou-lhe não ter que dar nem satisfações, nem cavaco a ninguém pela sua ausência, e contentar-se em se oferecer a maior prenda de todas: desfrutar-se!
Dia 11, pelas 23 horas, lá abriu asas e voou rumo a Morpheus (Deus dos sonhos e do sono).
Antes da descolagem, foi ao WC. Sentira necessidade de se refrescar com água fria. Ainda de cara salpicada, olhou-se ao espelho e, apontando o dedo ao seu reflexo, sussurrou-se decidida: "Olha bem para ti agora, porque levas ali um bilhete de ida e volta, mas esta Cindy que vês, só vai!" Secou ligeiramente a face e saiu em direcçã ao seu lugar.
Enquanto, percorria aquele corredor, reparava nalguns passageiros, já acomodados, que ali se encontravam naquele dia àquela hora. Inconscientemente, decorou algumas caras e feições. Procurou o seu assento, e encontrado, pediu licença a quem estava no banco ao seu lado e sentou-se no seu (exigido!) lugar à janela.
Algum tempo depois, já o avião seguia o caminho das estrelas, resolveu jogar. Sempre gostara de passatempos que lhe puxassem pela astúcia e lhe devolvessem a confortável sensacao de mistérios desvendados.
Começou por olhar para as cabeças visíveis do seu assento e depois iniciou o jogo que a entreteria, antes que fosse vencida pelo sono. "Hum, aquele ali, grisalho, fatinho channel, solteirão, cheio da guita: vai em negócios! O casal, ali da direita, que não descola os lábios um do outro, é de caras: vão em lua-de-mel. Os velhotes, lá adiante, albicastrenses, vão ter com a filha, que trocou uma pátria por outra, porque apaixonou-se, num cyber-chat, pelo nick "Docinho_Regional", um emigrante, escalabitano, que se fez empresário na restauração..." E assim mergulhou, por tempo que não determinou, ate não ter mais cabeças por onde pairar.
Entre um sorriso e um bocejo, deu meia volta ao corpo, enroscou-se com o nariz estampado na janela, saboreou com o olhar alguns pontinhos de luz que se adivinhavam no solo e deu conta que ainda nem tinha, utopicamente, fotografado quem estava no assento mesmo ao seu lado. Fechou os olhos e pensou: "Não saias daí que já te faço o teu retrato.
Adormeceu.
... ... ... ... ...
- Ninguém sai do seu lugar!!!
Numa fracção de segundo, Cindy foi violentamente despertada e notou que as caras e expressões dos passageiros tinham-se alterado. A senhora "mãe da filha emigrada", parecia estar com falta de ar, enquanto o velhote, aflito, lhe sentia a pulsação com uma mão e com a outra acariciava-lhe a testa, soprando-lhe para o rosto. O casal que ía "em lua-de-mel" estava abraçado e a rapariga refugiava o medo, e a cabeça no peito do rapaz. O grisalho "empresário", segurava afincadamente, imóvel, um telemóvel.
O assento ao lado de Cindy, estava vazio.
Ao longo do corredor do avião, estavam cinco homens armados, que aos berros vociferavam ordens e palavras por vezes imperceptíveis (ora em inglês, ora em português).
Cindy, conteve a respiraçã.
- Este avião tem uma bomba! Vai ser desviado! Se alguém, ousar sair do seu lugar ou falar, sem a nossa autorização, não hesitaremos em enviá-los para o céu ou para o inferno! A escolha é vossa! Be quiet!
Petrificada, Cindy quis mas, não conseguiu recordar-se de como se rezava. Aprendera quando menina, mas depois a vida replecta de desventuras, fizera dela uma descrente na força divina. E sem saber a quem - entre um arfar e uma nova contenção da respiração - pediu socorro, em pensamento.
Deu conta que o avião dava uma volta de uns oitenta graus, o que a fez perceber que não iria mais ao encontro da sua, merecida, viagem espiritual. Entretanto deduziu que, outros tantos, piratas-do-ar já tivessem tomado o cockpit.
Lá à frente, alguém de repente entrara em histerismo, mas imediatamente se calara depois do som da pancada seca de uma arma que se abatera sobre a sua cabeça.
Cindy, cerrou, fortemente, os olhos.
Após nova inspiração, sentiu o calor da urina deslizar-lhe, pelas justas calcas de sarja bege, e aquecer-lhe a parte interior das coxas... calor esse, que minutos depois, a gelava.
- Mijaste-te puta?
Ouviu num repente, e ainda de olhos fechados sentiu o odor activo de quem estivera antes ali ao seu lado, quieto, durante horas! Depois abriu as palpebras, mas manteve a cabeça imóvel, fixando as costas do banco da frente.
Pressentiu-lhe o halito enquanto a boca dele se lhe encostava ao ouvido, segredando:
- Queres viver?
" Não! " Cindy, pensou que não.
- Sim. - Respondeu, a custo, sussurrando numa voz quase com som e sem tom.
- Então, levanta-te e vamos para a casa de banho... tu na frente, eu por detrás. - Ordenou e sorriu sarcasticamente o terrorista, enfiando-lhe a lingua no ouvido e, de seguida, lambendo e sorvendo-lhe a pele do pescoço.
Cindy acatou. Em silêncio aderiu ao solicitado levantando-se, tal qual um boneco telecomandado, direito ao seu destino, sem expressão no olhar.
A caminho da fatalidade, lembrou-se como se rezava:
"Pai Nosso, que estais no Céu santificado seja o Vosso nome..."
"... Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nos perdoamos... "
Recusou continuar a oração. Perante aquele momento negava-se a fazer as pazes com Ele.
Zangou-se, irrevogavelmente, com Deus.
Ja dentro daquele cubiculo, pressionada de frente contra o espelho, lamentava aquela mulher, reflectida na sua imagem, e questionava se alguma vez a conhecera. Sem ousar defendê-la, apatica, puniu-a.
Por detrás de si, sentiu um rasgar das calças e outro da blusa branca acetinada, depois cedeu a umas mãos suadas que lhe esganavam os seios e a um ferro em brasa que a incendiava por dentro e por fora.
Ao permitir que o seu corpo se abrisse, deixou que a sua alma se fechasse.
Quis sorrir ao recordar os cheiros do campo a mal-me-queres-e-bem-me-queres. Quis lembrar as historias de encantar que a Mãe lhe contava quando menina ao deitar. Quis reviver os dias em que por amor se entregou desmedidamente. Sentiu o sopro da maresia da janela aberta do seu quarto virado para a praia. E finalmente, chamou à memória as lágrimas brotadas em momentos, tão efémeros quão eternos, de felicidade.
Quinze minutos de vida depois, sob as asas de Morpheus, Cindy despenhava-se no Triângulo das Bermudas.

Venenno

9:14 AM  

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